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A Poesia


Este poema surgiu de forma muito peculiar. Estava dormindo e sonhei com um recital de poesia. Tinha que ler uma poesia e tinha alguém que coordenava o evento. Solicitava que lhe entregasse uma cópia. Eu tinha escrito à mão.  Na verdade, eram duas poesias que se juntavam em uma. Eu não queria dar uma cópia. Então, ainda sonhando, eu pensei: Se quer minha poesia,  que a siga em leitura .  Não darei nada para ele  escrito.
Acordei as 3 da manhã e escrevi.
Aproveitem.

Não me acompanhe
Siga-me

Pois a poesia está de passagem
Ela sempre está de passagem
E vai deixando palavras
Ajeitadas
Embaralhadas
Interessantes
Desconcertantes
Cortantes

Sabores de mel
de fel
ao léu

Escritas

Siga a poesia em meus versos
Diretos
Re-versos
Trazidos a baila
Ou como balas
De uma revolução
Que nunca cessa
Em antônimos
à normalidade

Em sinônimos de romantismo

Segue a poesia
E me deixa com vós
Nesta voz que declama
Em palavras
A cria de sua passagem.

Vai poesia
Pois não te acompanho
Apenas a recebo em meu ser grávido de inspiração

Amar-te-ei
Sob a lua que me delira
Sob o sol
Que aquece minhas alterações de estado
impondo-me ereções  de sentidos
Da vida
Do amor
Da morte de todo dia
no texto que vem
E se apaga
Quando não se retém
Em Poesia
Em prosa
Por falta de caneta e papel

Poeta sou
enquanto passas
Poeta fui
ao redigir suas últimas palavras

Sim,
sou tomado por ti
Quando queres
e abandonado
Quando peço para ficar

Ao poeta cabe, a receber
E deixar nascer em si
o poema
Tal qual Maria a Jesus
Como por imposição divina
À necessaria redenção humana

A Poesia
Sequestra minha atenção
Passa por dentro de mim
Age através das minhas emoções

A poesia pede passagem

Sempre.

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Esta página de poesia existe no Facebook. Republicarei poemas e os novos. Ficarão  acessíveis para um público mais amplo. Espero que gostem. Paulo Santos

Kaô Kabecilê

Leve Leve Depois que tudo que me incomoda Ter sido posto na fogueira Leve Não me sinto vazio Sim, completamente envaziado De todas as dores Minha anfitriã disse-me: ponha na fogueira de Xangô. Eu pus Meu pus Meus odores quase fétidos. Que exalavam intensos. Cessaram Não me asfixiam  Não doem. Não corroem Só sinto o esvazio Daquilo que me excedia. Como é bom sentir-me assim Quase completo Quase certo Em paz. Como é bom ter paz.

Abismo

No limite das fronteiras e trincheiras                    limito-me à simplicidade Escolho a quem amar ainda          que                não                      seja                            amado