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Mostrando postagens de maio, 2019

A Poesia

Este poema surgiu de forma muito peculiar. Estava dormindo e sonhei com um recital de poesia. Tinha que ler uma poesia e tinha alguém que coordenava o evento. Solicitava que lhe entregasse uma cópia. Eu tinha escrito à mão.  Na verdade, eram duas poesias que se juntavam em uma. Eu não queria dar uma cópia. Então, ainda sonhando, eu pensei: Se quer minha poesia,  que a siga em leitura .  Não darei nada para ele  escrito . Acordei as 3 da manhã e escrevi. Aproveitem. Não me acompanhe Siga-me Pois a poesia está de passagem Ela sempre está de passagem E vai deixando palavras Ajeitadas Embaralhadas Interessantes Desconcertantes Cortantes Sabores de mel de fel ao léu Escritas Siga a poesia em meus versos Diretos Re-versos Trazidos a baila Ou como balas De uma revolução Que nunca cessa Em antônimos à normalidade Em sinônimos de romantismo Segue a poesia E me deixa com vós Nesta voz que declama Em palavras A cria de sua passagem. Vai poesia ...

Gira sois

Vi uma pessoa querida sofrendo pelas memórias de alguém querido, que se foi. A sua dor iluminou a minha sensibilidade. Então,  juntei luz, dor e memória neste pequeno poema. Gira sois giram meus pensamentos Sentimentos Eu sou flor Você é sol E as memórias de ti como raios iluminam minhas emoções minhas saudades de ti Então eu sei que nada termina pela ausência do calor da voz dos abraços Se lágrimas insistem apesar de minhas resistências E lutas intensas em cair sobre meu rosto Eu sou flor Você é sol E as memória são calores de um amor que nunca se acaba

Encontro

Voltei. Eu vou e volto de forma irregular. Poesia é  assim. Vem quando quer. Eu a recebo e compartilho. Hoje fiz um texto difícil. Para mim. Foi um parto. Nasceu. Comecei a amar tardiamente A mim. Décadas se passaram Sem ter sido eu mesmo Objeto do meu amor A religião me ensinou a amar o próximo E me deixou cada vez mais longe Daquele primeiro amor Que sempre se refletia ao espelho a cada vez Quando me punha defronte Amar o próximo como a si mesmo. Por não saber como amar a mim mesmo Amei o outro Sem me amar Sempre um amor bandido Me maltratando E a cada ato que pensava eu Sei amar Sou amor No fim tudo dor Hoje eu jantei com meu amor sozinho Eu olhava para mim Estranhando-me E aos poucos Reconhecendo em mim A novidade do primeiro encontro E não era  narciso olhando pro espelho Era somente Um primeiro encontro Sem primeiro beijo Sem primeiro toque Sem braços e abraços Só uma voz interior sussurrando fundo - Ame-se mais. Publicado ori...

Ainda me cabe

Ainda me cabe Encontrei finalmente um novo amor Novos amores vêm cheios de amor De todos amores que já viveu De todos os amores que já morreram Encontrei um amor experimentado Um amor talhado na arte de amar Uma amor aprovado Reprovado Todo pra mim Eu o  quero todo Todo assim para mim A espera de mim Junto de mim Cheio de histórias O próximo capítulo é aqui Encontrei Histórias Faremos histórias Publicado originalmente em  julho 2018

Abraços

Poemas surgem com muita frequência em banheiros, nas ruas, nos bares. Nos bares são os lugares que mais se produz poesia. Ainda mais se tivermos relaxados “tomando uns negócios”. Este surgiu no trem. Estava numa prosa com uma amiga sobre assuntos variados. Entre entre eles que falava de abracos e corações que se encontram, do sentimento que por vezes o coração de um parece estar dentro do peito outro. Veio a partir dai o tema abraços, misturados a tudo isto. Então, recebi como desafio ao ouvir dizer que isto daria uma poesia. Entre as estações de Triagem e Parada de Lucas surgiu. Pronto. Ai está. Abraços! São exclamações Interjeições Intenções expressas e amor encontros encantos Junções de corpos Fusão de peitos Há braços! De um lado pulsa um coração Do outro lado pulsa um coração Que pulsa em outro peito Que junto pulsa Do outro lado do meu peito Como se fora Uma anomalia em um peito Com dois corações Ah braços! Que nos leva Um para o outro Para ali fica...

Abismos

Abismos Tudo que preciso É perder-me nos estranhos caminhos das dúvidas Para descobrir algo soterrado em mim ou que pensei possuir hoje sou nada mais que fragmentos de um eu desnorteado Preciso de labirintos Para abrigar memórias projeções Deixando-as se perder onde eu me encontrei. Tudo isto por que meu coração dói. Publicado originalmente em  setembro 2017

Depressão

O sentimento às vezes é que a trincheira foi invadida e a gente se sente impotente. Como as fases da lua, a poesia também tem suas fases. E o poeta iluminado por esta condição vê-se transformar: homem lobisomem, pássaro, réptil e outras mutações. E por vezes volta a ser homem. É preciso mergulhar Para submergir A vida é sempre este movimento Mergulhar Submergir Continuamente Às vezes afundo Por mais tempo É na demora Não me faltam ares Me nutro da dor Da solidão Da paixão não correspondida De tudo que parece não ter fim Ali fico E o tempo Cozinha tudo como uma panela de pressão Sem válvula Que me enche Incha envolve empala Se não submerjo Ela me explode Jaz. Publicado em setembro de 2017

Alinhavos

Alinhavos Metade de mim são pontos A outra  contrapontos Nos muitos pontos que pensei serem finais Foram simplesmente reticências. Nos amores terminados frequentemente Nos projetos sonhados Após consumação intensa de expectativas, como nos poemas inconclusos. Desde o nascimento expectativas. Do pai Da mãe Do mundo inteiro ao redor Pra sobreviver Me tornei resposta malcriada a todos eles Para conquistar meu eu Já não sou seus sonhos. Sou resposta Contraponto Publicado originalmente em setembro 2017

Atados/Desatados

Poemas siameses. É isto que aconteceu. Um não pode existir sem o outro. Nascem juntos e seguem juntos. Se a separação é realizada e é plausível acontecer, percebe-se a falta. Pois uma parte de um permanece no outro.  A separação é parte dialética da união. Então vamos lá: ata e desata. Os nós e o nós Atados Nós Juntos Almas fundidas Projetos co-fundidos Amor Nós Atados Corpos entrelaçados Desejo Suores Sexo Planos feitos Satisfeitos Entre nós Nós que compartilhamos Para estarmos ligados Colados Ao que sonhamos Por toda as horas De nossos dias Por todos os dias De nossos anos de vida Nós e nós Que atam O infinito amor Que co-partirmos Para estarmos juntos Tempestades cruzamos Nós ancorados Nós amarrados Viagem que não deriva-se ——---__------------------—------------- Desatados Nós atados Am...

Tudo

Meu corpo, minhas regras Eu sempre achei estranho este pensamento. Continuo achando Esta é uma das máximas do feminista. Eu quero e preciso de mais. Preservar o corpo? Não. Eu quero mais. Quero a mim todo. Sem mediações inúteis e todos os senões absurdos que os acompanham. Tudo Eu me tenho na medida que me preservo Na mesma medida que me perco quando me preservo. Meu corpo só me pertence Quando o deixo abandonado A mim, de mim. Voluntariamente Ter-me  é não me ter Por não me possuirem A meu ver, meu corpo Que não se põe acessível Não me possuem Pois é Meu corpo não se submete as regras, ele é recusa. sou recusa Meu corpo minhas regras? Nunca! A liberdade é fugidia e corpos livres recusam pertencimentos Eu sei: o custo da liberdade é o abandono, permanente de si. Publicado originalmente em fevereiro de 2017

Descontaminação

Descontaminação Todo dia Acordar. Após,  asseio: escovar os dentes. Lavar o corpo Pentear os cabelos E assim estar pronto para um novo dia Ao anoitecer Tomar banho Escovar os dentes Limpando o corpo das impurezas Impostas pelo dia de tantos contatos. E assim preparado Dormir um sono e sonhar No conforto de um corpo livre Nos relacionamentos deveria ser assim Primeiro asseiar-se do antigo Para iniciar um novo. Deixar no ralo Tudo que o outro te impregnou As comparações As frustrações O sêmen O sabor dos lábios As dívidas e dúvidas As carências e carinhos Para se ter um novo amor deveria-se Submeter-se à  comissão de energia nuclear E solicitar descontaminação total do amor antigo. Publicado originalmente em novembro de 2016

Destino

Acordei, escrevi. Às vezes é assim: quando a insônia chega o texto sai! Destino Hoje eu a acordei com música Não adiantou Hoje eu lhe preparei panquecas pela manhã, guloseimas mis Não adiantou Hoje lhe pedi: fica mais um pouco! Não adiantou Hoje eu insisti: não se vá Não adiantou Era dia de briga Nada que eu fizesse impediria isto. Brigamos Mulher de sagitário é assim Estava escrito na primeira linha Do diário que não li Era dia de briga Mulher de sagitário é assim A culpa era toda minha Devia ter seguido as instruções — Ler o livro antes de iniciar o dia Ainda hoje sigo em dúvidas E se fosse outro signo? Publicado originalmente em setembro de 2016

Adotei

Ainda no processo de revisitação encontro mais um texto "das antigas" até o editei. Mas a nova versão sumiu.  Sendo assim,  vai no original Adotei Quando mais me humanizo Quando mais teço: Pela minhas escolhas Pelo meus desejos Minha realidade Sou menos natural E destroço a ditadura do DNA Óvulos e espermatozoides Apenas são sementes Meus desejos e escolhas que são adubos e cultivos As minhas sementes Postas no mundo Se não as  teço Não me reproduzo. Publicado originalmente em agosto 2016

Linha de fuga

Não tenho escrito novos poemas. Então, varrendo textos antigos, encontro este a seguir, revisitado. Não tinha nome. Nomeei Linha de fuga Um passo à frente Abismo Então, fico por aqui, com a boa conversa de quem me ama E o leito aquecido em mais uma noite de amor tórrido. Publicado originalmente em agosto de 2016.

Viver

Hoje eu quero homenagear uma amiga. Amiga recente. Mas, o tempo não mede a qualidade das pessoas. Então, num momento difícil de sua vida. De lutas.  A minha solidariedade e apoio. Um beijo para ti                                                       À Adriana Perdomo Viver Ensinaram-me que somos feito de carne e osso, setenta e cinco por cento água. Para uns, matéria mística vindo do barro e um dia viraremos pó nada mais Outros,  mutações vindas das águas nada mais Mas, o que é então a vida? Não sei! Só sei do  viver E o viver me diz, que somos feitos, de paixões e medos, de desejos e frustrações, de amores e desilusões O viver me diz, que a matéria de que sou feito Não é tangível, é desmedida. Qual ração nutrirá o corpo? pouco me importa corpos são esferas de baixa solicitações O viver precisa mais há qu...

Assepsia

Voltei! Eu sempre volto. Nunca sei por quanto tempo ficarei presente ou ausente. Mas, sempre estarei por perto e, perto de mim a poesia me espreitando Assepsia Lavou? Tá sujo! tudo contaminado A vida tem dessas coisas o que a gente vive tinge-nos por dentro Lavou? Tá sujo! tudo contaminado O primeiro beijo que troquei caiu bem bem dentro de mim e ali ficou para sempre Lavou? Tá sujo! tudo contaminado O erros que cometi não se foram com o arrependimentos e perdões Estão nos meus calcanhares e me impelem a tropeçar Em outros erros nos mesmos erros em novos erros Lavou? Tá sujo! tudo contaminado Por mais que brilhem as superfícies da minha pele e os meus olhos eu arroto frustrações negações senões e tenho mim sertões de solidão Lavou? Tá sujo! tudo contaminado Que bom! Em mim o viver não combina com assepsia Publicado originalmente em fevereiro de 2016

Casamento

Os casamentos são feitos para durarem. Nem sempre é assim. Ontem eu fui em um. E ouvi a célebre frase do padre. Então, fui para casa e fiquei pensando. Casamento, casamento, casamento... Fiz um texto minimalista. Este foi o menor. Como disse: estou me superando em reduzir. Um dia eu volto a me expandir. Casamento Até que a vida nos separe. Publicado originalmente em novembro de 2015

Dose

Dose . Na dosagem certa. Tanto para compor naquele tom, como para se perder. Aqui, o que vale, é está última perspectiva. Então vamos lá. Uma gota         eu quero pra transbordar a mim em mim aos jorros Com apenas uma gota a mais E quando eu derramar-me O grito estridente Seja apenas a inundação Do que me devora Todos os dias em silêncio Publicado originalmente em setembro de 2015

Pulmonar

A vida é respiração. Respiração é vida. Assim, foi que surgiu mais este texto minimalista. Uma homenagem a vida, mazelas e superação. Aaah, eu tô maluco!  :-) Pulmonar inspira expira pira inspira pira expira pira inspira expira Res-pi-ra... Publicado originalmente em julho de 2015

Eu vou

Às vezes eu penso que a gente não se inspira. A gente é provocado quando ousamos escrever algo inusitado. Hoje estou sendo provocado. Foi assim que iniciei está página. Tinha algumas coisas escritas ao longo dos anos. Pela provocacão fiz uma seleção e publiquei. Hoje duplamente provocado posto uma vez mais. Eu vou Se me levar...Eu vou. Vou por gosto e por afeto É sempre assim Eu me deixando ao sabor das lutas por um mundo melhor ou a paixão por um amor incerto Se me levar.. Eu vou. Por que? Só me leva o que me toca o que me toma por inteiro não consigo ir repartido com as armas ou o coração nas mãos Se é luta a morte cerca. Paradoxo: medo e destemor se é amor a morte é certa Paradoxo: resistir e perder-se Se me levar... Eu vou. pra luta pro amor vou com meus próprios pés Eles não resistem a uma boa causa Publicado originalmente em julho de 2015

Retalhos

Uma amiga fez uma provocação hoje pela manhã. Falávamos de retalhos. Resolvi trazer pra cá a conversa. Faz tempo que não venho aqui. Não sei se estou voltando ou passando. Estou aqui. Retalhos Tecer Retalhos Tecer Dias Pedaços Da vida Em vida Tecer os retalhos  Tecer os dias Pedaços da vida Em vida Tecer os retalhos tecer os dias Pedaços da vida em vida Tecer nos retalhos os dias pedaços da vida em vida. No tempo Publicado em julho 2015

Viagens

Quando buscamos conhecer outros lugares ou os nossos lugares, estamos sempre conhecendo pessoas que nos trazem os lugares. Não existe a meu ver lugares sem pessoas. As pessoas são os lugares. Nos somos lugares. Viagens Eu nunca conheci lugares E tenho andado por tantos lugares Ainda assim Meus passeios Estão nos olhos dos amigos que encontrei Dos amores que  provei Das ausências que senti Daquilo que me foi com-partilhado Em todos que conheci. Os lugares trilhados por meus pés Pousam nas relações Desses amores Destes amigos Dos ex-estranhos dessas pessoas Os lugares são as almas Que dispuseram, estiveram E ficaram impressas Bem aqui. Dentro Daqueles lugares que guardo mim Minhas viagens são pessoais Mediações Medita-ações Intransferíveis Das pessoas que conheço. Publicado originalmente em abril de 2014

Crise

Quando chega perto nosso aniversário às vezes a gente "pira". Pensamentos embolam. Indefinições nos atormentam. Por vezes instaura-se o caos. Aí vem a crise. Este é o nome do meu novo texto. A Crise O tempo me chamou Convoca-me Anos após anos: a razão. Por vezes acato Por vezes recuso Quase sempre recuso Recuso ao cárcere Por regra - a razão não me serve. O que gosto é toda a emoção que tudo transforma que tudo transtorna que me leva para a longe de onde estou para longe do que sou para  além do que conheço Eu quero mais do que tenho Quero algo menos que sou Mais leve Mais desorientado. Loucura! Perdição! Tenho sentidos Não os quero Sentidos Quero Abstração O tempo me chama Aniversário após aniversário Aqui estou Engana-se quem me espera Esperar? Já estou indo Já fui muito antes que alguém chegue Em mim habita a rebeldia Me pondo a revelia Incontrolável descontrolável Assim Não te pertenço Não me pertenço Não me tens Não ...

Simplicidade

Estou me superando.  Cada hora mais minimalista.  Onde isto vai parar? Tô começando a me divertir.  Mas,  lendo posso dizer: "tá de bom tamanho! ". Simplicidade Pensamentos voam Passarinhos voam Liberdade é vôo. Publicado originalmente em março 2015

Fragmentos

Aqui, entrincheirado,  o tema amor e suas vicissitudes tem me abordado com certa frequência.  Penso que seria ótimo percorrer outras abordagens.  Mas,  nas vezes que estas apareceram, eu não tive como registrar.  Então,  por hora, a trincheira é esta.  Desta vez veio um trio.  Poesia curta.  Poesia conta gotas.  Espero que seja um bom remédio para a alma.  Apaixonar-se inspira expira Então amor, respira --------------X---------- Abandonou a família a escola os livros o pai enlouquecido pergunta: "Minha filha, você fumou, cheirou, bebeu demais?" Não respondeu foi-se sem virar sem olhar para traz Estava perdida A-pai-xo-na-da. --------------X---------- Com gosto Fui Com desgosto Voltei Gosto Desgosto Gosto Desgosto É o meu coração que me leva e tráz. Consumação Publicado originalmente em fevereiro 2015

Envelhecer

Tem uma hora que a gente olha para o tempo. O tempo vivido. Não existe mais dor. Só a necessidade de sincronização: o dentro e o fora de si. Construir a unidade. Juventude, amadurecimento e envelhecimento começar a fazer parte dos seus pensamentos. Ainda que exista a recusa de lidar com isto. O que fazer? Encarar, manter a recusa ou deixar para depois. Está posto! Envelhecer Eu preciso do tempo que está na raiz do meus cabelos esbranquiçados Histórias! explícitas implícitas semi-secretas. Vividas! Do tamanho que suportei menores que as sonhei Eu preciso do tempo sem as urgências. Para viver de-gus- ta-ti-va-men-te o micro tempo o micro ato a micro sensibilidade Cetelhas centelham em mim a ausência do fogo que outrora queimavam ardentes pulsões juvenis Eu preciso do tempo da raiz do meus cabelos esbranquiçados Sem a redução do meu olhar complacentes diante do espelho Sem medo da extinção. Publicado originalmente em janeiro de 2015

Vai

Vai! Vai amor Vai Buscar quem te deseja Pois o meu coração não sentiu teu amor Pois não foi amado Vai amor Para o outro lado da rua da cidade do mundo Vai sem mim Vai nua e deixa - me esquecer-te de vez Vai vai! Vai vem? Não! Perdestes o trem Perdeste  o bem O vai vem de nossas noites em sofreguidão O vai-vem Se foi Agora Vai vai vai vai vai! Pra nunca mais. Publicado originalmente em dezembro 2014

Livre

Livre Pensar com liberdade dá                            calafrio                            cadafalso E uma vontade imensa de                                 correr                               transar Pensar com liberdade desconecta o tempo dissolve o medo Pensar com liberdade dá um tesão filho da puta!

Esperanca

"O nosso amor morreu" Estava ouvindo uma linda música com esse verso e pensei: "isso inspira  poesia"; depois de repetir 10 vezes,  tá ai! Acabou de sair.  Meus lábios ainda ardem,  quentíssimo!  Boa madrugada para tod@s Esperança Nosso amor foi assassinado Por todas as noites de ausência Por todas as presenças desatentas Por todas as carências Foi com a crueldade De todos os dias mal amados Desalmados do teu corpo Apressado em partir Por razões que em silêncio Deixei você omitir Como uma faca pontiaguda Fere fundo o peito Ferido fui No amor que morreu Que se acendam as velas Por que aqui jaz - dois Eu e amor Que se foi de nós O nosso amor foi assassinado Amores morrem Amores  nascem Amores renascem Quando o peito é fértil Quando o coração é forte Amor morto aduba Amor vindouro. Publicado originalmente em agosto 2014

Turbilhão

Turbilhão Sem pausa Sem pauta Cheio Viver sem intervalos Num compasso quatro por quatro Preenchido de vibrações Paleta de cores Insanas Continuas Vuvuzelas enlouquecidas De um fôlego In-cessante In-continente Que me falem da loucura do meu  olhar fixo na mulher que só hoje vi. que já a vi que só hoje a vi assim: dentro de mim Ela está aqui E eu sei mais dela que ela de si Sensações Que transbordam desaguam em mim compassos de valsa se transtornam e gritam em solo blues gritam agitam todo meu ser Sem pausa Sem pauta Cheio Viver sem intervalos Num compasso quatro por quatro Preenchido de vibrações Paleta de cores Insanas Continuas Vuvuzelas enlouquecidas De um fôlego In-cessante In-continente Que me falem da loucura do meu  olhar fixo na mulher que só hoje vi. que já a vi que só hoje a vi assim: dentro de mim Ela está aqui E eu sei mais dela que ela de si Sensações Que transbordam desaguam em mim c...

Poesia

Todos temos sensibilidade para infinitas coisas. Não é privilégio de um poeta sentir. De alguma forma o privilégio é descrever aquilo que todos nós somos capazes: realizar a nossa humanidade, das mais diferentes formas e percepções. Eu sou poesia Você é poesia Todos somos poesia Quando o olhar vagueia Em pensamentos loucos De arrepiar. Ao ouvir aquela música caipira ao amanhecer de domingo Enquanto o sol Expulsa a noite Com luz e calor Somos Somos poesia Olhando aquela pequena traquina aprontando inocentes travessuras Nos levando a sorrir Somos A poesia que brota A revelia Na compreensão tardia Que nos faz chorar Que nos rasga dolorido: o peito A partir do coração A partir o coração Tantos poemas O poema de amor O poema de dor O poema sem flor O poema de luta de quem luta Um poema O poema encarcerado na métrica O poema de fuga do encarcerado Que teima em libertar-se . Somos Ainda que a palavra Não venha certa para descrever Toda emoçã...

Poema de amor e guerra

Ontem, em Vila Isabel, tinha um samba muito bom. Excelente repertório. Músicos muito bons. Então, ouvi uma música de Almir Guineto. Eu o acho surpreendente como compositor. Esta música me tocou. Trouxe para mim uma sensação que traduzi no texto a seguir. Poema de amor e guerra Um poema de amor Um poema de guerra Pulsa em mim Conturbado! Paixões doem Quando interditadas Causas doem Quando frustradas Solidão! Se a beijo sou feliz. Somos fusão - amando Somos amor - fundidos No ato Sou luta Tenho a causa não estou só. Sou a multidão União! Amor Causa Luta Um poema de amor Um poema de guerra Para quem sabe amar Para quem sabe lutar.

A guerreira e o poeta

Este poema é de 1993. Uma homenagem às mulheres que não fogem da luta. A guerreira e o poeta E a guerreira venceu o leviatã Com dentes de navalha e unhas tecedores da morte tal qual viúva negra A leito recolhe-se a guerreira e aninha-se em feto descanso Serena Inocente ofertando ao poeta a matéria do seu labor Com as armas depostas não mais guerreira que sulca e dilacera o corpo inimigo tampouco fêmea de instinto procriador. Sim, a pitonisa de um bardo romântico que delicada curva-se ao toque da criança ou engabelo de uma flor Do ninho da guerreira alquimia o poeta a sua arena de papel e lápis Ruge. Sonha. Ao parasitar o sono da guerreira E, antes que nasça o sol de um leito em sobreassalto a musa do ninho desaparecerá lugar do qual se ergue uma guerreira ao mesmo tempo, o bardo romântico sucumbe Na batalha que prossegue. a razão de ser da guerreira, sucumbe todo amanhecer o poeta na sua belicosidade forjada a caneta e papel.

Ela só pediu carinho

Hoje deu vontade de escrever. Há muito que não fazia isto. Não deu para sentir se ficou legal. Estou um pouco fora de forma. Ainda assim, ouso em postar. Vamos lá! Ela só pediu carinho Fui ao mercado escolhei o de melhor em casa, com o melhor de mim Preparei-lhe a mesa Por que? Ela só pediu carinho Acendi o candelabro. ao lado da taça, o prato uma taça do melhor vinho que pude comprar. E uma flor colhida em meu jardim intencionalmente inclinada ornamentei Com a cena pronta deixei a casa só para ela. toda degustativa toda olfativa toda paisagem para ela e seus pensamentos seus pensamentos e os seus sentidos Por que? Ela só pediu carinho. um jazz instrumental ao piano tocava quando ela adentrou sob a meia luz só para ela relaxar depois de um dia de trabalho Por que? Ela só pediu carinho Sai e caminhei feliz Missão cumprida em cada detalhe um pouco de amor em cada minuto dispendido um pouco de amor em cada escolha meticulosa um pouco de...

Frankenstein

Frankenstein Amor duas cabeças dois corações oito membros nove quiça! Eu amo tua amas Nus amamos despudoradamente desavergonhadamente com tudo que se tem direito com corpo e alma No corpo a corpo sorrindo o leite derramado o leito maltratado e num profanar do ideal romântico toda vulgaridade é pouca A-mar turbulento através da carne viva do ser vivo da vida dos corpos vivos de nós A nostalgia, o sonho, a imaginação, o ideário submetida a deliciosa concretude deste mel Amar é verbo!

Nós

E nós construímos, lavamos e protejemos os seus palácios e nós alimentamos, banhamos e servimos a sua gente e aos seus filhos. Não mais! Publicado originalmente em  18 de julho 2014

Reparação

Reparação E nós que éramos homens e mulheres Fomos transformados em negros e com tais     humilhados     massacrados     escravizados     açoitados Agora a roda do tempo nos fez compreender aquilo que nega também afirma e nós descortinando preconceitos devassando, dilarecerando, desbloqueando     as adversidades Negros! resgatamos os homens e mulheres que a história soterrou 28-1-1991 Publicado originalmente em 18 de julho 2014

Estou chegando

Estou chegando Hoje eu acordei faminto Olhei a dispensa cheia Nada ali me fartaria Não era o estômago que carecia Não era estomacal a carência alimentar Não era o estômago que doía em carência alimentar; era a saudade Na dispensa cheia de hipermercado nada apetecia Necessitava urgente do teu olhar     da tua voz     da textura da tua pela nua para temperar os meus lábios e o entrelaço de nossas línguas Faltava-me a tua voz aos berros e sussurros En-canto E aquelas pitadas do teu mau humor matizando a vida. E longe vinha-me um poema de Solan Trindade: “se tem gente com fome dá de comer” Da-me de comer sem cerimônia sem mesa posta pois a alma faminta dispensa pormenores DIRETO! As palavras doces aos olhos aprisionados aos corpos em sofreguidão que não se tocam se embolam atabalhoadamente Com ânsia com pressa com gana Hoje eu acordei faminto Hiperbolicamente faminto desatinado E, tenho o endereço certo tenho o no...

Contexto

Contexto Hoje acordando Senti o frescor da manhã de outono O céu limpo O sol agradável Após o café da manhã despedi-me Beijando a mulher que amo: Sonolenta despenteada sem maquiagem Intui: tenho o contexto para uma poesia Inspirei. Profundamente Tranqüilamente Um ar cheio de frescor e silêncio Envolvente Na busca do texto preciso para o que via e sentia Poderia ser assim: Sob o testemunho desta luz, declaro Não são só flores que caem Na chegada do outono Caem também as vestes do troglodita insensível Na busca de um texto Para um contexto: 6 da manhã de um dia ensolarado de outono após receber um beijo da mulher amada descabelada sonolenta sem maquiagem Publicado originalmente em 1 de julho 2014

Tempestade

Não penses que antes não haviam pedras rolando os morros e nem tampouco que as águas cobriam as superfícies impendido-as de contemplarem o céu. Como antes, as pedras rolam sobre os morros as águas afogam a terra Hoje corpos suportam pedra e lama sobre si ou flutuam inertes eternamente inertes sobre as águas Rio de Janeiro, chuvas de fevereiro de 1988

Trajetória

Trajetória Quem somos nós? O resultado dos sonhos ou dos erros de cálculos     das atitudes imaturas         dos beijos ardentes             das vontades alheias                 da seleção natural                     da seleção social da segregação racial? Ou os frutos teimosas das diáspora negra. Quem seremos nós? O projetos de nossos pais a falta de projeto de nosso país A vontade embrionária em nossas entranhas Somos a escalada dos abismos em cujos degraus de sangue suor risos e lagrimas ficaram muitos de nós. Publicado originalmente em 23 de junho de 2014.

Segredos

Não decifro mulheres Não decifro mulheres as deixo devorar-me abruptamente corrosivamente Assim descortinado sou indigesto para depois ser expelido Me expelem Por amor por amar demais por amar de menos por receber amor por não saberem amar Publicado originalmente em 14 de maio 2014

Poemas de trincheira

Esta página de poesia existe no Facebook. Republicarei poemas e os novos. Ficarão  acessíveis para um público mais amplo. Espero que gostem. Paulo Santos