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Dose

Dose. Na dosagem certa. Tanto para compor naquele tom, como para se perder. Aqui, o que vale, é está última perspectiva. Então vamos lá.

Uma gota
        eu quero
pra transbordar
a mim
em mim
aos jorros

Com
apenas
uma gota
a mais

E quando eu derramar-me
O grito
estridente
Seja apenas
a inundação
Do que me devora
Todos os dias
em silêncio


Publicado originalmente em setembro de 2015

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Poemas de trincheira

Esta página de poesia existe no Facebook. Republicarei poemas e os novos. Ficarão  acessíveis para um público mais amplo. Espero que gostem. Paulo Santos

Kaô Kabecilê

Leve Leve Depois que tudo que me incomoda Ter sido posto na fogueira Leve Não me sinto vazio Sim, completamente envaziado De todas as dores Minha anfitriã disse-me: ponha na fogueira de Xangô. Eu pus Meu pus Meus odores quase fétidos. Que exalavam intensos. Cessaram Não me asfixiam  Não doem. Não corroem Só sinto o esvazio Daquilo que me excedia. Como é bom sentir-me assim Quase completo Quase certo Em paz. Como é bom ter paz.

Abismo

No limite das fronteiras e trincheiras                    limito-me à simplicidade Escolho a quem amar ainda          que                não                      seja                            amado