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Descontaminação

Descontaminação

Todo dia

Acordar.
Após,  asseio:
escovar os dentes.
Lavar o corpo
Pentear os cabelos
E assim estar pronto para um novo dia

Ao anoitecer
Tomar banho
Escovar os dentes
Limpando o corpo das impurezas
Impostas pelo dia de tantos contatos.
E assim preparado
Dormir um sono e sonhar
No conforto de um corpo livre

Nos relacionamentos deveria ser assim
Primeiro asseiar-se do antigo
Para iniciar um novo.
Deixar no ralo
Tudo que o outro te impregnou

As comparações
As frustrações
O sêmen
O sabor dos lábios
As dívidas e dúvidas
As carências e carinhos

Para se ter um novo amor
deveria-se
Submeter-se à  comissão de energia nuclear
E solicitar descontaminação total
do amor antigo.



Publicado originalmente em novembro de 2016

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Poemas de trincheira

Esta página de poesia existe no Facebook. Republicarei poemas e os novos. Ficarão  acessíveis para um público mais amplo. Espero que gostem. Paulo Santos

Kaô Kabecilê

Leve Leve Depois que tudo que me incomoda Ter sido posto na fogueira Leve Não me sinto vazio Sim, completamente envaziado De todas as dores Minha anfitriã disse-me: ponha na fogueira de Xangô. Eu pus Meu pus Meus odores quase fétidos. Que exalavam intensos. Cessaram Não me asfixiam  Não doem. Não corroem Só sinto o esvazio Daquilo que me excedia. Como é bom sentir-me assim Quase completo Quase certo Em paz. Como é bom ter paz.

Abismo

No limite das fronteiras e trincheiras                    limito-me à simplicidade Escolho a quem amar ainda          que                não                      seja                            amado