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Reparação

Reparação

E nós que éramos homens e mulheres
Fomos transformados em negros
e com tais
    humilhados
    massacrados
    escravizados
    açoitados

Agora
a roda do tempo nos fez compreender
aquilo que nega
também afirma
e nós
descortinando preconceitos
devassando, dilarecerando, desbloqueando
    as adversidades

Negros!
resgatamos os homens e mulheres
que a história soterrou

28-1-1991

Publicado originalmente em 18 de julho 2014

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Poemas de trincheira

Esta página de poesia existe no Facebook. Republicarei poemas e os novos. Ficarão  acessíveis para um público mais amplo. Espero que gostem. Paulo Santos

Kaô Kabecilê

Leve Leve Depois que tudo que me incomoda Ter sido posto na fogueira Leve Não me sinto vazio Sim, completamente envaziado De todas as dores Minha anfitriã disse-me: ponha na fogueira de Xangô. Eu pus Meu pus Meus odores quase fétidos. Que exalavam intensos. Cessaram Não me asfixiam  Não doem. Não corroem Só sinto o esvazio Daquilo que me excedia. Como é bom sentir-me assim Quase completo Quase certo Em paz. Como é bom ter paz.

Abismo

No limite das fronteiras e trincheiras                    limito-me à simplicidade Escolho a quem amar ainda          que                não                      seja                            amado