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Assepsia

Voltei! Eu sempre volto. Nunca sei por quanto tempo ficarei presente ou ausente. Mas, sempre estarei por perto e, perto de mim a poesia me espreitando

Assepsia

Lavou? Tá sujo!
tudo contaminado

A vida tem dessas coisas
o que a gente vive
tinge-nos por dentro

Lavou? Tá sujo!
tudo contaminado

O primeiro beijo que troquei
caiu bem
bem dentro de mim e ali ficou para sempre

Lavou? Tá sujo!
tudo contaminado

O erros que cometi
não se foram com o arrependimentos e perdões
Estão nos meus calcanhares
e me impelem a tropeçar
Em outros erros
nos mesmos erros
em novos erros

Lavou? Tá sujo!
tudo contaminado

Por mais que brilhem as superfícies da minha pele
e os meus olhos
eu arroto frustrações
negações
senões
e tenho mim sertões de solidão

Lavou? Tá sujo!
tudo contaminado

Que bom!

Em mim o viver não combina com assepsia



Publicado originalmente em fevereiro de 2016

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