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A guerreira e o poeta

Este poema é de 1993. Uma homenagem às mulheres que não fogem da luta.

A guerreira e o poeta

E a guerreira venceu o leviatã
Com dentes de navalha
e unhas tecedores da morte
tal qual viúva negra

A leito recolhe-se a guerreira
e aninha-se em feto descanso

Serena
Inocente
ofertando ao poeta
a matéria do seu labor

Com as armas depostas
não mais guerreira
que sulca e dilacera o corpo inimigo
tampouco fêmea de instinto procriador.

Sim,
a pitonisa de um bardo romântico
que delicada curva-se ao toque da criança
ou engabelo de uma flor

Do ninho da guerreira alquimia o poeta
a sua arena
de papel e lápis

Ruge.
Sonha.
Ao parasitar o sono da guerreira

E,
antes que nasça o sol
de um leito em sobreassalto
a musa do ninho desaparecerá
lugar do qual se ergue uma guerreira
ao mesmo tempo, o bardo romântico
sucumbe

Na batalha que prossegue.
a razão de ser da guerreira,
sucumbe todo amanhecer
o poeta
na sua belicosidade
forjada a caneta e papel.

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