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Tudo

Meu corpo, minhas regras
Eu sempre achei estranho este pensamento. Continuo achando
Esta é uma das máximas do feminista. Eu quero e preciso de mais.
Preservar o corpo? Não. Eu quero mais. Quero a mim todo.
Sem mediações inúteis e todos os senões absurdos que os acompanham.

Tudo

Eu me tenho
na medida que me preservo
Na mesma medida que me perco
quando me preservo.

Meu corpo só me pertence
Quando o deixo abandonado
A mim, de mim.
Voluntariamente

Ter-me  é não me ter

Por não me possuirem
A meu ver, meu corpo
Que não se põe acessível
Não me possuem

Pois é
Meu corpo não se submete as regras,
ele é recusa.
sou recusa

Meu corpo minhas regras?
Nunca!

A liberdade é fugidia
e corpos livres
recusam pertencimentos

Eu sei:
o custo da liberdade
é o abandono,
permanente de si.


Publicado originalmente em fevereiro de 2017

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