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Depressão

O sentimento às vezes é que a trincheira foi invadida e a gente se sente impotente. Como as fases da lua, a poesia também tem suas fases. E o poeta iluminado por esta condição vê-se transformar: homem lobisomem, pássaro, réptil e outras mutações. E por vezes volta a ser homem.

É preciso mergulhar
Para submergir
A vida é sempre este movimento
Mergulhar
Submergir
Continuamente

Às vezes afundo
Por mais tempo
É na demora
Não me faltam ares

Me nutro
da dor
Da solidão
Da paixão não correspondida
De tudo que parece não ter fim

Ali fico
E o tempo
Cozinha tudo como uma panela de pressão
Sem válvula
Que me enche
Incha
envolve
empala

Se não submerjo
Ela me explode
Jaz.



Publicado em setembro de 2017

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Poemas de trincheira

Esta página de poesia existe no Facebook. Republicarei poemas e os novos. Ficarão  acessíveis para um público mais amplo. Espero que gostem. Paulo Santos

Kaô Kabecilê

Leve Leve Depois que tudo que me incomoda Ter sido posto na fogueira Leve Não me sinto vazio Sim, completamente envaziado De todas as dores Minha anfitriã disse-me: ponha na fogueira de Xangô. Eu pus Meu pus Meus odores quase fétidos. Que exalavam intensos. Cessaram Não me asfixiam  Não doem. Não corroem Só sinto o esvazio Daquilo que me excedia. Como é bom sentir-me assim Quase completo Quase certo Em paz. Como é bom ter paz.

Abismo

No limite das fronteiras e trincheiras                    limito-me à simplicidade Escolho a quem amar ainda          que                não                      seja                            amado