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Fragmentos

Aqui, entrincheirado,  o tema amor e suas vicissitudes tem me abordado com certa frequência.  Penso que seria ótimo percorrer outras abordagens.  Mas,  nas vezes que estas apareceram, eu não tive como registrar.  Então,  por hora, a trincheira é esta.  Desta vez veio um trio.  Poesia curta.  Poesia conta gotas.  Espero que seja um bom remédio para a alma. 

Apaixonar-se
inspira
expira
Então amor,
respira

--------------X----------

Abandonou a família
a escola
os livros

o pai enlouquecido pergunta:
"Minha filha,
você fumou, cheirou, bebeu demais?"

Não respondeu
foi-se
sem virar
sem olhar para traz
Estava perdida

A-pai-xo-na-da.

--------------X----------

Com gosto
Fui
Com desgosto
Voltei

Gosto
Desgosto
Gosto
Desgosto

É o meu coração
que me leva
e tráz.

Consumação


Publicado originalmente em fevereiro 2015

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Esta página de poesia existe no Facebook. Republicarei poemas e os novos. Ficarão  acessíveis para um público mais amplo. Espero que gostem. Paulo Santos

Kaô Kabecilê

Leve Leve Depois que tudo que me incomoda Ter sido posto na fogueira Leve Não me sinto vazio Sim, completamente envaziado De todas as dores Minha anfitriã disse-me: ponha na fogueira de Xangô. Eu pus Meu pus Meus odores quase fétidos. Que exalavam intensos. Cessaram Não me asfixiam  Não doem. Não corroem Só sinto o esvazio Daquilo que me excedia. Como é bom sentir-me assim Quase completo Quase certo Em paz. Como é bom ter paz.

Abismo

No limite das fronteiras e trincheiras                    limito-me à simplicidade Escolho a quem amar ainda          que                não                      seja                            amado