Faz tempo que me incomoda algumas abordagens sobre sexualidade. Pelo simples fato que somos todos inevitavelmente detentores de uma. Também me incomoda no campo da esquerda ou da luta contra a opressão esta disputa visceral sobre quem é o mais vitimado por este aspecto. Incomoda a interdição do diálogo sobre o tema, no meu círculo de amizade, por eu ser heterossexual, logo confundido e associado ao opressor. Não é fácil, por vezes quando se tem sensibilidade para causas libertárias, encontrar quem te ouça com respeito, quando está associação lhe é imputada. Deste desconforto nasceu este texto.
Sou hetereossexual
E isto, não põe o pão à minha mesa
Tampouco me ensina a amar
E por mais eu pense sobre isto
A minha escolha política
Minha cota de solidariedade
Minha empatia e fraternidade
A minha consciência
de classe,
dos conflitos raciais
Que todos os dias
Iluminam minhas dores
De um mundo
Violento
Nas violências da desigualdades econômicas
Das ações policías contínuas ineficientes que nunca cessam
Alimentando a mídia com o sangue dos inocentes assassinados
Das balas que em seus corpos
não se perdem
Eu sigo sendo heterossexual
E isto, pouco importa.
Sim, amigo. Que nos libertemos dos rótulos! As nossas verdades transcendem a elas. Suas palavras expressam a sabedoria de quem viveu e vive uma vida plena! Gratidão por compartilhar!
ResponderExcluirPrimeiro, grato pela leitura. E fato este tema me é muito caro. Acho que é caro para quem tem sensibilidade e se confunda com a barbárie. Temos que nos manter sensíveis. No contexto do Brasil atual isto é revolucionario.
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