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Amanhecer

Amanhecermos depois que anoitecemos, juntos
É tudo e um pouco mais
Do que sonhei

O sol em nossos rostos
Que nos despertou
Depois de despertos a noite toda
Nos amando
Intensamente.
Imprimiu em mim
Suas mãos intensas
E na minha boca
Este gosto frutado
Que docemente resiste
Nesta manhã de outono.

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Poemas de trincheira

Esta página de poesia existe no Facebook. Republicarei poemas e os novos. Ficarão  acessíveis para um público mais amplo. Espero que gostem. Paulo Santos

Kaô Kabecilê

Leve Leve Depois que tudo que me incomoda Ter sido posto na fogueira Leve Não me sinto vazio Sim, completamente envaziado De todas as dores Minha anfitriã disse-me: ponha na fogueira de Xangô. Eu pus Meu pus Meus odores quase fétidos. Que exalavam intensos. Cessaram Não me asfixiam  Não doem. Não corroem Só sinto o esvazio Daquilo que me excedia. Como é bom sentir-me assim Quase completo Quase certo Em paz. Como é bom ter paz.

Abismo

No limite das fronteiras e trincheiras                    limito-me à simplicidade Escolho a quem amar ainda          que                não                      seja                            amado